Como reduzir o turnover nas empresas ou o título pop: “Você já percebeu que trabalho não é sofrimento?”

As pessoas me perguntam. Mentira. As pessoas não me perguntam nada, sou eu quem queria escrever sobre isso. E eu também sempre quis iniciar um texto escrevendo “as pessoas me perguntam”. Acho chique.

Mas, bem… Outro dia, um estudo recente da London School of Economics e da Universidade de Sussex (1) apontou que o momento mais triste do dia é quando estamos no trabalho.

Isto me causou um grande impacto e uma enorme curiosidade: o que “economics” tem a ver com tristeza? Então me lembrei das minhas economias e sim, concordo, bate mesmo uma certa tristeza. Depois, pensei “Dã. Ah, vá!”. E é sobre isso que vamos conversar.

– Sobre o “Dã. Ah, vá!”?
– Não! Mas sobre porque é tão óbvio e tão permanente que as pessoas sintam que o momento mais triste do dia é quando estão no trabalho.

Nós, humanos trabalhadores, acostumamo-nos ao devastador sentimento de ir trabalhar todos os dias sem enxergar qualquer significado de nosso emprego para nossas insignificantes e pífias existências (peguei pesado). Acostumamo-nos a achar que é normal entregar nossa vida inteira para um emprego qualquer, qualquer coisa que nos dê alimento, dinheiro e que nos roube a liberdade e todo o “resto”. Acostumamo-nos a matar e sepultar nossa satisfação em trabalhar, realizar tarefas e construir algo com significado nesta vida.

E assim, aos poucos, meio que sem norte, vamos levando uma vida socialmente estável e esquecemos que viemos à Terra para evoluir e ser felizes. E que, para tanto, é essencial tomarmos as rédeas de nossa trajetória e buscarmos sim a tão sonhada realização no trabalho.

Toda esta questão é interna, é da alma de cada um. Contudo, esta não precisa ser uma realização plena, como tantos sonham! Mas, gente, precisamos sim ter no mínimo uns 50% de realização, né! Não aceite menos!

Você já pensou, permanecer a vida toda trabalhando em algo que não lhe faz o menor sentido? Pois é, acreditem se quiser, tem gente que faz isso. Olhe em volta.

Mas cada vez menos gente está aceitando levar este tipo de vida miserável. Sim, miserável porque, se não é uma miséria econômica, é uma miséria interna, psicológica, que é bem pior. Daquelas que fazem crer que dinheiro não traz mesmo felicidade.

O que as empresas têm a ver com isso?

Muito. E é justamente aí que entra a questão externa. O estudo mencionado lá no início só corrobora o que todo o planeta já sabe.

“Fica claro que as pessoas gostariam de fazer quase qualquer outra coisa, em vez de trabalhar”, dizem os cientistas no artigo.

As pessoas gostariam, mas não fazem. E as empresas fingem que nem percebem. (Aliás, debater esta hipocrisia coletiva social é um ótimo assunto para outro artigo.)

A boa notícia é que é possível sim ter colaboradores satisfeitos. Existe algo palpável a ser feito. Tratar os indivíduos como pessoas e não como máquinas. Trazer um clima mais leve, saudável e construtivo. Há várias ações continuamente desenvolvidas para um ambiente de trabalho mais humano e mais realizador.

Uma das formas está na alegria. Sim, experimente desenvolver o humor!

E claro que isto nada tem a ver com piadinhas constrangedoras. Isto tem a ver com se importar de verdade em dar significado ao trabalho, dar reconhecimento, cuidar das pessoas, verdadeiramente. Quando se enxerga significado naquilo que se faz, tudo fica mais divertido. E aí, tudo faz sentido!

Há líderes que possuem a natural  habilidade de se importar com as pessoas. É preciso incentivar estes líderes e multiplicá-los. São eles que ajudam a construir um ambiente onde as pessoas trabalham sorrindo. Isso acontece quando a empresa toma rédea do tema e aplica esforços na parte que lhe cabe.

A má notícia é que se isso não for feito, não adianta lamentar o tal turnover.

Vire a chavinha!

(1) Are You Happy While You Work? - Alex Bryson, George MacKerron

Postado originalmente em Regis Folco.

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